Os Cães do Cemitério São Miguel, em Garanhuns: Entre o Medo Infantil e os Guardiões do Além
Nas noites silenciosas das pequenas cidades do interior, o limiar entre o real e o fantástico parece se dissolver. O tempo corre mais devagar, os barulhos da rua se apagam, e qualquer sussurro vindo de um portão enferrujado pode ser o prenúncio de algo que escapa à lógica. Garanhuns, cidade do Agreste Pernambucano, com sua neblina ocasional e ruas que margeiam cemitérios centenários, é o tipo de lugar onde as lendas tomam corpo — ou ganham patas. Verônica Pires Ferreira, moradora da rua do Cemitério São Miguel quando criança, compartilhou um relato que ainda hoje a acompanha como uma cicatriz psíquica: aos 11 anos, ao brincar de pega-pega com amigas na frente do cemitério, viu dois cães pretos, com olhos de fogo, dentes enormes e línguas vermelhas como labaredas. Eram aproximadamente 21h, e a visão abrupta dos animais demoníacos a fez correr desesperadamente para casa. No dia seguinte, ainda abalada, contou o que viu. Mas o que há por trás de uma experiência como essa? Seria apenas ...