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Os Cães do Cemitério São Miguel, em Garanhuns: Entre o Medo Infantil e os Guardiões do Além

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Nas noites silenciosas das pequenas cidades do interior, o limiar entre o real e o fantástico parece se dissolver. O tempo corre mais devagar, os barulhos da rua se apagam, e qualquer sussurro vindo de um portão enferrujado pode ser o prenúncio de algo que escapa à lógica. Garanhuns, cidade do Agreste Pernambucano, com sua neblina ocasional e ruas que margeiam cemitérios centenários, é o tipo de lugar onde as lendas tomam corpo — ou ganham patas. Verônica Pires Ferreira, moradora da rua do Cemitério São Miguel quando criança, compartilhou um relato que ainda hoje a acompanha como uma cicatriz psíquica: aos 11 anos, ao brincar de pega-pega com amigas na frente do cemitério, viu dois cães pretos, com olhos de fogo, dentes enormes e línguas vermelhas como labaredas. Eram aproximadamente 21h, e a visão abrupta dos animais demoníacos a fez correr desesperadamente para casa. No dia seguinte, ainda abalada, contou o que viu. Mas o que há por trás de uma experiência como essa? Seria apenas ...

Risos na Madrugada e Camas Que Derrubam: Os Ecos Infantis do Hospital Barão de Lucena

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Recife, madrugada. Em um dos hospitais mais movimentados e históricos da capital pernambucana, relatos discretos percorrem os corredores como sussurros entre turnos de plantão. No Hospital Barão de Lucena (HBL), há quem diga que o repouso nunca é realmente seguro. Entre cochilos curtos e o silêncio antes do primeiro paciente chegar, surgem histórias que resistem ao tempo - e que parecem ignorar a lógica do mundo moderno. Enfermeiras, técnicos, funcionários da limpeza. Gente calejada, acostumada com a dor humana e com a proximidade da morte, contam sobre uma experiência nada técnica: durante a madrugada, ao repousar por alguns minutos em leitos de consultórios vazios, muitas dessas pessoas foram, misteriosamente, derrubadas da cama como se uma força invisível as expulsasse dali . Em alguns casos, isso era acompanhado de gargalhadas infantis que ecoavam pelos corredores escuros da ala hospitalar . Há quem diga que são apenas alucinações hipnagógicas - aquelas que ocorrem entre o sono...

Mistério no HOSPITAL BARÃO DE LUCENA: Uma Assombração Entre de Botas

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Os corredores silenciosos dos hospitais, sobretudo à noite, sempre carregaram um quê de mistério. Não apenas por sua arquitetura muitas vezes labiríntica ou pelo eco de passos que ressoam no vazio, mas porque ali pulsa - ou se esvai - a fronteira tênue entre a vida e a morte. O relato a seguir, enviado por uma técnica de enfermagem aposentada, nos leva ao Hospital Barão de Lucena, um dos mais importantes centros médicos de Pernambuco, e revela um dos episódios mais inquietantes da história oral hospitalar da cidade. “Sou uma técnica de enfermagem, hoje aposentada. Eu trabalhava no Hospital Barão de Lucena (HBL). Não quero ser identificada, pois sou muito conhecida. Vamos ao que interessa: uma médica que chefiava o setor infantil do HBL relatou - não só a mim, mas a outras colegas - que precisou ir a um certo setor dos andares da UTI pediátrica, quando encontrou um homem de botas, chapéu e chicote na mão. Ela perguntou o que ele estaria fazendo ali naquela hora. Ele olhou para ela e p...

Uma Aparição do Passado: O Dia em que o Parque da Jaqueira Voltou ao Século XIX

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Entre os muitos relatos sobrenaturais vindos de Recife, é comum ouvirmos histórias sobre fantasmas, vultos ou aparições em cemitérios. Mas existe um tipo de experiência ainda mais intrigante, menos associada ao medo e mais conectada a um certo fascínio histórico: os chamados “lapsos temporais” ou “saltos de tempo”. Foi exatamente isso que aconteceu com Wilton Barbosa, que morou em Recife nos anos 80. Seu relato, enviado ao nosso canal, nos transporta para uma vivência digna de roteiro de cinema ou de episódio da série Arquivo X. O Relato: A Janela para o Século XIX Segundo Wilton, tudo aconteceu enquanto aguardava o ônibus em uma antiga estação de bonde próxima ao Parque da Jaqueira. Por cerca de 15 segundos, o ambiente ao seu redor simplesmente mudou: - "Eu estava vendo aquele lugar como era no século XIX" , conta ele. " Pessoas vestidas à época, carroças puxadas por burros, gente vendendo caranguejos e frutas. " O mais intrigante é que, ao contrário dos relat...

A Loira da Gafieira: O Fantasma Silencioso que Dançava em Santo Amaro

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Recife, com sua arquitetura colonial e suas noites de clima úmido e carregado, parece ter sido feito sob medida para histórias de assombração. Não é à toa que gerações de moradores perpetuam causos e lendas que se cruzam entre realidade e ficção. Hoje, resgatamos um relato enviado por um inscrito do canal Lendas e Causos de Pernambuco chamado Henrique, que amplia ainda mais o folclore em torno do já conhecido Cemitério dos Ingleses, localizado na esquina da Avenida Cruz Cabugá com a Avenida Norte, em Santo Amaro. Diferente de outros relatos que falam sobre vultos ou passos ouvidos na calada da noite, aqui temos uma narrativa curiosa, carregada de simbolismo social, psicológico e até mesmo de reflexos históricos da cidade: a história de um homem que dançou a noite toda com uma mulher... que não pertencia mais a este mundo. O Relato: A Loira da Salina O caso foi relatado em 1971. Um amigo do avô de nosso leitor havia saído para se divertir numa tradicional gafieira chamada Salinas,...

A Mulher de Azul: A Aparição no Banheiro e o Mistério Noturno em Caruaru

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Era madrugada em Caruaru, no agreste de Pernambuco. Silêncio absoluto. Apenas o som abafado da noite preenchia o quarto em que João Bosco e sua esposa dormiam. Tudo parecia dentro da mais completa normalidade - até que ele acordou e presenciou algo que rompeu a lógica do real: sua esposa estava... entrando no banheiro. A cena era nítida, suave, envolta em uma leve iluminação azulada que dava ao momento um ar quase onírico. Não fosse por um detalhe absolutamente perturbador. Ao esticar a mão para o lado, ele percebeu que sua esposa ainda estava ali , dormindo tranquilamente ao seu lado. Ou seja, quem - ou o que - havia entrado no banheiro? A Visão que Não Gerou Medo (E Por Que Isso é Ainda Mais Perturbador) O que impressiona nesse relato não é apenas a presença da figura que imitava a esposa de João. Mas sim a sensação de tranquilidade que ele sentiu diante do fenômeno. Em relatos sobrenaturais, a presença do medo costuma ser uma constante, quase como uma reação natural ao desconh...

“Quebranto”, de André Balaio: quando o cotidiano pernambucano encontra o Sobrenatural

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Quando o pernambucano André Balaio - roteirista, quadrinista e co‑fundador do site  O Recife Assombrado  - publicou  Quebranto  pela Editora Patuá, em março de 2018, o livro chegou discreto às prateleiras, mas logo chamou atenção dos prêmios literários: finalista do Sesc e do Cepe Nacional 2017, 3.º lugar no concurso da UBE‑RJ e eleito “melhor obra de ficção de 2018” pela Academia Pernambucana de Letras. Treze contos, muitas armadilhas A coletânea reúne 13 histórias que começam sob a luz diáfana da normalidade para, sorrateiramente, revelar o insólito. Balaio usa a velha estratégia da “virada de chave” - o leitor circula por cenas banais até trombar com algo que desmonta o real. Não há susto fácil, tampouco chuva de fantasmas: o terror é psicológico, embebido em culpa, desejo ou violência contida. A comparação com  Histórias extraordinárias  de Edgar Allan Poe é inevitável, mas a construção lembra mais o fantástico de Borges e Cortázar, onde o estranho germ...